Pesquisadores de um estudo internacional, com a participação de cientistas da Faculdade de Medicina da USP, descobriram o papel de uma proteína que atua como um “freio” na produção de hemoglobina fetal, que pode ajudar a tratar doenças do sangue como a anemia falciforme e a beta-talassemia.
A hemoglobina fetal é a forma predominante dessa proteína durante a gestação, mas sua produção diminui após o nascimento. As doenças mencionadas são causadas por alterações genéticas que afetam a hemoglobina adulta. Aumentar a produção de hemoglobina fetal pode compensar essas alterações e amenizar os sintomas.
O estudo, publicado na revista Nature, foi conduzido em parceria com instituições da Universidade de Harvard e outros centros internacionais. Os pesquisadores identificaram uma variação genética relacionada à menor produção da proteína BACH2, que limita a produção de hemoglobina fetal. Ao reduzir a ação dessa proteína, a produção de hemoglobina fetal aumentou.
Além da BACH2, a proteína NRF2 também desempenha um papel importante, ajudando a ativar os genes responsáveis pela produção da hemoglobina fetal. A interação entre BACH2 e NRF2 é crucial para entender como aumentar a produção dessa hemoglobina. Os resultados sugerem que a combinação de estratégias que atuam em ambas as proteínas pode ser mais eficaz.
Embora os achados sejam promissores, os pesquisadores alertam que são necessárias mais investigações para avaliar a segurança e a eficácia dessa abordagem em pacientes. O artigo completo está disponível na revista Nature.