quarta-feira, 04 de novembro de 2026
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Lilian Sendretti, do Cebrap, analisa polarização e redes sociais em mídia nacional e internacional

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Lilian Sendretti, do Cebrap, analisa polarização e redes sociais em mídia nacional e internacional
Lilian Sendretti, do Cebrap, analisa polarização e redes sociais em mídia nacional e internacional

Lilian Sendretti, pesquisadora do Núcleo de Democracia e Ação Coletiva (NDAC) do Cebrap, tornou-se uma voz proeminente na imprensa brasileira e internacional durante a semana do segundo turno da eleição presidencial. Suas análises sobre os efeitos da polarização política e o papel das plataformas digitais na disputa eleitoral foram destaque em veículos do Brasil, México e França.

No Brasil, a cientista política e doutora pela USP foi fonte de uma reportagem publicada em 22 de outubro no UOL Vida, que abordou o conceito de “burnout cívico”. Formulada por Lilian a partir de entrevistas com eleitores, a ideia descreve o esgotamento provocado pelos conflitos políticos cotidianos, levando indivíduos a evitar discussões e a se autocensurar para preservar o bem-estar. Este fenômeno não se confunde com apatia, mas reflete o alto custo emocional de participar de debates polarizados. “O que a pesquisa permite compreender é que esse esgotamento político não se restringe ao período eleitoral. Ele aparece no cotidiano: grupos de família, amizades, igreja, trabalho. Os conflitos não terminam quando as eleições acabam”, afirmou a pesquisadora.

O conceito de burnout cívico é aprofundado no artigo de Lilian Sendretti, “Burnout cívico: efeitos emocionais e afetivos da polarização e da radicalização política no Brasil”, disponível no SciELO Preprints. O trabalho, baseado em grupos focais, conclui que a radicalização e o burnout cívico compartilham causas estruturais, evidenciando impactos subjetivos centrais da polarização sobre a democracia brasileira.

Internacionalmente, Lilian participou do Congresso Internacional “La ultraderecha en un mundo globalizado”, organizado pela Universidad Veracruzana (UV), no México, nos dias 22 e 23 de outubro. Em entrevista ao sistema de notícias da universidade, divulgada em 26 de outubro, ela enfatizou a inseparabilidade da dinâmica das redes sociais da política contemporânea. A pesquisadora alertou para o avanço e a normalização da extrema direita, apontando riscos para os avanços democráticos.

Sendretti destacou que as plataformas digitais não são espaços neutros e que a compreensão do funcionamento dos algoritmos é crucial para analisar a circulação de conteúdos políticos. Ela recomendou que os usuários evitem interagir com publicações de desinformação, mesmo para desmenti-las, pois as plataformas podem interpretar a interação como interesse, ampliando o alcance do conteúdo. “Como usuários, meu conselho é não comentar nem interagir, não dar espaço à desinformação — a conteúdos de extrema-direita —, porque o algoritmo entende que isso é importante para vocês e vai continuar exibindo. Não adianta comentar para dizer que não é verdade ou que não está correto; não façam isso, apenas ignorem, porque é assim que as plataformas funcionam”, orientou.

A pesquisadora também foi consultada pelo jornal francês Le Figaro, em reportagem de 23 de outubro intitulada “Au Brésil, Flavio Bolsonaro à la recherche du vote féminin”. O texto, assinado pela correspondente Éléonore Hughes, abordou a estratégia do candidato do PL para conquistar o eleitorado feminino no segundo turno. Lilian analisou que, embora o novo discurso valorize as mulheres e seus esforços, ele mantém o homem no centro, agora retratado como um chefe de família afetuoso e protetor, em contraste com a postura anterior de ofensas abertas.

Para Lilian Sendretti, uma eventual vitória do candidato do PL não se deveria à adesão das mulheres ao projeto político, mas sim à diminuição do veto delas. “As mulheres pesam na margem e, numa eleição tão apertada, é a margem que decide”, concluiu a pesquisadora, ressaltando a importância estratégica desse eleitorado em disputas acirradas.

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