O Banco Central (BC) decidiu manter a Taxa Selic em 13,75% ao ano, em resposta às tensões cambiais e ao fenômeno climático El Niño. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que destacou o aumento das incertezas e as expectativas de inflação acima da meta.
No comunicado, o Copom ressaltou que o cenário atual é desafiador, com uma taxa Selic considerada contracionista e uma desaceleração da atividade econômica. A decisão surpreendeu o mercado, que esperava uma redução de 0,25 ponto percentual, embora algumas instituições já previam a manutenção da taxa.
Desde abril, o Copom já havia promovido cinco cortes na Selic, mas a instabilidade recente no Oriente Médio e a expectativa de impactos do El Niño complicam a condução da política monetária. O BC também enfrenta um desfalque em sua diretoria, com mandatos expirados e sem novas indicações para o Congresso.
A Selic é fundamental para controlar a inflação, que, segundo o último IPCA-15, subiu de 4,5% para 4,62% no acumulado de 12 meses, acima do teto da meta. O novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, estabelece uma meta de inflação de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
As previsões do mercado apontam para uma inflação de 5,22% ao final do ano, superando a meta de 4,5%. A redução da Selic é vista como um estímulo à economia, mas também pode dificultar o controle da inflação, uma vez que juros mais baixos incentivam o consumo e a produção.