sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emAgro, São Paulo

Esalq investiga adaptação de plantas em microgravidade para agricultura

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Esalq investiga adaptação de plantas em microgravidade para agricultura
Esalq investiga adaptação de plantas em microgravidade para agricultura

Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) está simulando condições de microgravidade para entender como as plantas se adaptam ao estresse ambiental, com o objetivo de desenvolver alternativas que tornem a agricultura mais resiliente às mudanças climáticas.

O estudo é realizado em colaboração com pesquisadores da Itália, Angola e Brasil, focando em culturas como batata-doce, cará e grão-de-bico. O professor Paulo Hercílio Viegas Rodrigues, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, destaca que a iniciativa surgiu de um projeto do Instituto Interlatino-Americano, que visa fomentar pesquisas entre a Itália e países da América Latina.

A agricultura espacial investiga a produção de alimentos em ambientes com microgravidade, como no espaço ou em outros corpos celestes. O projeto busca entender como as plantas reagem ao estresse gerado pela ausência de gravidade, conhecimento que pode ser aplicado ao estresse enfrentado na Terra devido às mudanças climáticas. Para isso, foi desenvolvido um clinostato, um equipamento robótico que simula a gravidade espacial.

As plantas escolhidas são relevantes para a segurança alimentar, pois o grão-de-bico fornece proteínas essenciais, enquanto batata-doce e cará são fontes importantes de carboidratos. A pesquisa também explora a diversidade genética entre Brasil e África, aproveitando espécies com alta resiliência e adaptação ao cultivo in vitro em microgravidade.

A primeira fase da pesquisa será concluída em outubro, com testes práticos das plantas cultivadas in vitro. Essa etapa inicial, que envolve o mapeamento do comportamento genético e das respostas fisiológicas das plantas, prepara a equipe para uma fase de capacitação tecnológica na Itália entre outubro e novembro.

A pesquisa também investe na combinação de fungos e microrganismos benéficos da biodiversidade brasileira para desenvolver “superprotocolos” que ajudem as plantas a superar condições adversas, como a toxicidade do solo em Marte e na Lua.

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