quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Estudo analisa a transformação da saúde com telemedicina no Amazonas

Estudo analisa a transformação da saúde com telemedicina no Amazonas
Estudo analisa a transformação da saúde com telemedicina no Amazonas
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Rodrigo Meirelles, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da FSP da USP, retornou de campo com novas impressões sobre a telemedicina em Parintins, um arquipélago na Amazônia. O local abriga o primeiro serviço público de telemedicina do Brasil, em funcionamento há cerca de 20 anos.

O objetivo da pesquisa é compreender as mudanças que a telemedicina traz nas relações sociais, no trabalho e na organização política da saúde, à medida que se integra ao Sistema Único de Saúde (SUS). Localizada na Ilha Tupinambarana, a cidade é famosa pelo Festival de Parintins, que apresenta os bois Caprichoso e Garantido.

Meirelles destaca que, sob a perspectiva da sociologia da saúde, busca entender as relações sociais e institucionais que possibilitam o atendimento médico remoto em uma das áreas mais isoladas do Brasil. Ele também analisa como isso pode impactar as desigualdades e os riscos à saúde.

A telemedicina ganhou destaque no Brasil durante a pandemia de covid-19, alterando a estrutura tradicional de atendimento, que era predominantemente presencial. Essa nova abordagem pode ampliar o acesso a diagnósticos e tratamentos especializados, mas também pode criar dependências territoriais dentro do SUS.

Em Parintins, profissionais de saúde locais conectam pacientes e equipes de saúde da família a especialistas em Manaus e São Paulo, superando barreiras de linguagem e compreensão sobre saúde. Um exemplo é a teleinterconsulta em que um profissional local explicou a um especialista o significado de um sintoma descrito por um paciente ribeirinho.

Desde os anos 2000, a Organização Mundial da Saúde reconhece o potencial da telemedicina para ampliar o acesso à saúde. No Brasil, o SUS já conta com 29 Centros de Telemedicina operando e outros 34 em fase de implantação, prevendo-se a criação de mais de 60 centros em todo o país.

Com 22 pontos de telemedicina, Parintins oferece acesso remoto a diversas especialidades, incluindo cardiologia e pediatria. O estudo de Meirelles, supervisionado pela professora Aurea Maria Zöllner Ianni, visa contribuir para a compreensão das condições digitais que moldam a saúde contemporânea.

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