A eleição presidencial de 2026 terá a maior proporção de chapas puro-sangue, formadas por presidente e vice do mesmo partido, desde a redemocratização. Das 13 candidaturas confirmadas nas convenções partidárias, 12 terão os dois integrantes filiados à mesma sigla, o equivalente a 92% do total, o maior percentual desde a eleição de 1989.
Neste ano, a única chapa formada por partidos diferentes é a de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Na primeira eleição após a ditadura militar, em 1989, 19 das 22 chapas (83%) eram puro-sangue. Antes de 2026, o maior índice havia sido registrado em 2014, quando 10 das 11 candidaturas eram do mesmo partido, com exceção da chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).
O menor número de chapas com candidatos do mesmo partido ocorreu em 2002, quando metade dos seis concorrentes optou por um vice da mesma sigla e a outra metade por alianças.
Cientistas políticos consultados pelo g1 apontam fatores como a estratégia dos partidos de priorizar bancadas fortes na Câmara, a neutralidade de parte das siglas na disputa presidencial e a falta de unidade no campo da direita, ao contrário do que ocorreu entre PT e aliados.
Gilberto Kassab (PSD) e Ronaldo Caiado (PSD) em encontro do partido em São Paulo — Foto: Divulgação/PSD
O professor Carlos Ranulfo, da UFMG, cita a neutralidade adotada pela maioria dos diretórios de PP, Republicanos, MDB, União Brasil e do próprio PSD, que possui candidatura própria. Já Claudio Couto, da FGV, destaca que a decisão de não se aliar a um presidenciável inclui o financiamento das campanhas, com menos dinheiro saindo dos cofres partidários e maior chance de formar chapas fortes nos estados.